por Cíntia Cristina da SIlva e Sergio Amaral Silva para Mundo Estranho.
No caldeirão em que foi criado esse bruxinho superstar há um mix de lendas celtas, escandinavas, indianas, chinesas, irlandesas, gaulesas e egípcias. Mas, sem dúvida, a principal influência na obra da escritora inglesa Joanne Katherine Rowling é a mitologia greco-romana. Monstros, animais disformes e heróis presentes nessa mitologia inspiram nomes de personagens e muitas situações vividas por Harry Potter e seus amigos nos livros da série, inclusive no último a ser lançado: Harry Potter e a Ordem da Fênix, que acaba de chegar às livrarias na versão em português.
Há alguns meses, num dos inúmeros chats online de que participou durante a campanha de lançamento do novo livro na versão original, J.K. Rowling foi indagada por um internauta sobre a origem de uma frase colocada em um dos volumes da série.
"Vá em frente e pesquise. Um pouco de investigação faz bem a qualquer um", disse a escritora, dando um conselho que ela mesmo costuma seguir à risca quando prepara suas obras.
A originalidade do mundo de Harry Potter se baseia em uma sólida base mitológica, que é reelaborada e atualizada por Rowling após muita pesquisa.
Nos próximos dois volumes que ainda devem compor a série, tudo indica que a popular escritora vai continuar se servindo fartamente do banquete de seres como centauros e sibilas para fazer referências inteligentes e criar divertidos jogos de palavra.
Alguns bons exemplos desse bem bolado uso da mitologia greco-romana você pode conferir nos seguintes quadros :
Argus
NA SÉRIE: O nome do zelador de Hogwarts é Argos Filch. Ele é temido por Harry e todos os alunos pois parece ver tudo o que acontece na escola de magia.
NA MITOLOGIA: O nome do zelador foi inspirado em Argus, um monstro da mitologia greco-romana que tinha 100 olhos. Argus certa vez foi encarregado por Hera - esposa de Zeus, o "chefe" dos deuses gregos - de vigiar Io, uma amante do marido que ela havia capturado. Zeus então pediu para Hermes, um dos seus vários filhos, resgatar Io. Hermes deu conta da missão fazendo Argus dormir com o som de uma flauta e depois decapitando o monstro.
Centauros
NA SÉRIE: No mundo de Harry Potter, esses seres com corpo de cavalo, mas cabeça e braços humanos, são tranqüilos habitantes da Floresta Proibida, que cerca Hogwarts, a escola de magia e bruxaria.
NA MITOLOGIA: Ao contrário da calma exibida pelos personagens de J.K. Rowling, os centauros nas lendas da Antiguidade tinham fama de desordeiros, pois adoravam bebida e guerra.
Mistura mágica
Cérbero, centauros e esfinge são exemplos do tempero mitológico usado pela escritora J.K. Rowling.
Esfinge de Tebas
NA SÉRIE: Em O Cálice de Fogo, quarto livro da saga, Harry encontra uma estranha criatura com corpo de leão e busto e cabeça de mulher que lhe faz uma pergunta enigmática no final de uma competição de magia.
NA MITOLOGIA: A esfinge era um monstro com essas mesmas características físicas que guardava a entrada da cidade grega de Tebas. A todos que passavam por lá, ela propunha um enigma. Quem errasse a resposta era engolido pela fera. Só Édipo, filho renegado de um antigo rei de Tebas, foi capaz de acertar a charada mortal, levando a esfinge vencida a se jogar de um precipício.
Sibilas
NA SÉRIE: Personagem secundária nos primeiros livros, a professora Sibila Trelawney tem um papel de destaque no quinto volume, recém-lançado em português. Ela é professora de adivinhação em Hogwarts, a escola de magia, mas raramente acerta uma profecia. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix, porém, Sibila faz uma importante previsão macabra sobre o encontro de Harry com o vilão Voldemort.
NA MITOLOGIA: O nome da professora é inspirado nas sibilas. Ao contrário da senhora Trelawney, elas eram mulheres com grande poder de prever o futuro. Geralmente, as adivinhações envolviam catástrofes.